As atuais eleições sindicais derivam das eleições para enlace sindical que eram celebradas durante a ditadura franquista no seio de seus Sindicatos Verticais. As eleições sindicais durante o franquismo se diferenciavam das atuais em que não eram apresentados sindicatos nem candidaturas, mas pessoas como “independentes”. Mas deve ficar claro que as eleições sindicais são perfeitamente compatíveis com um regime ditatorial. Tanto membros da CCOO como da USO durante o franquismo a partir dos anos 60 participavam individualmente das eleições nos sindicatos franquistas.
A UGT e a CNT as boicotavam, e promoviam um enfrentamento radical contra a ditadura que as deixou esgotadas e desarticuladas. Podese dizer que, durante os anos 60 até a morte de Franco em 1975, a UGT e a CNT tiveram uma existência mínima, clandestina e perseguida sindicalmente falando.
Em contraste, a CCOO e a USO – também clandestinas – atuavam com mais tranquilidade graças às posições institucionalizadas que ocupavam seus delegados no Sindicato Vertical franquista. Especialmente a CCOO e o Partido Comunista da Espanha esperavam converterse, graças à participação no sindicato franquista, nos 13 únicos representantes do movimento operário espanhol, já que dispunham de quadros sindicais ativos eleitos democraticamente e tolerados pelos fascistas. Os líderes do CCOO e do PCE pensavam que era impossível derrubar o regime enquanto Franco vivesse. Sua estratégia era esperar que morresse, promover uma democracia e converterse nas forças hegemônicas da esquerda espanhola colocando sua gente no aparato do Estado. Para conseguir isto, necessitavam de uma transição tranquila. Por consequência, fizeram todo tipo de concessões para alcançar o poder: aceitaram os símbolos da monarquia, o chefe de Estado designado por Franco (o rei), o sistema capitalista e a economia de mercado, a continuidade dos fascistas em seus postos, e que não houvesse ajuste de contas com os assassinos e os ladrões do regime.
A eles se uniram finalmente outras formações respeitáveis da esquerda como o PSOE e a UGT, que não queriam perder sua fatia do bolo. Com Franco morto e os Sindicatos Verticais dissolvidos, o governo da União de Centro Democrático, apoiado por estas forças da oposição, implementam o sistema eleitoral com voto secreto nas empresas até 1978.
Em resumo: as eleições sindicais são herança da ditadura franquista, dos falangistas e fascistas reconvertidos a democratas, e dos comunistas, socialistas e liberais que os apoiaram para fazer a transição para a dita democracia, de forma pacífica e sem rupturas. Esta herança responde à necessidade do governo e da patronal de dispor de interlocutores válidos e agentes sociais responsáveis. O poder e o capitalismo para nada precisam de um povo consciente de seus direitos, massas em mobilização permanente e dissidentes que pretendam derrubar o sistema.








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