Órgão de divulgação da Federação Operária da Bahia Sindicalista Revolucionária fundada em 1908 ligada à AIT


domingo, 10 de outubro de 2010

Boicote às eleições sindicais

do livro Anarcosindicalismo Básico da Federación Local de Sevilla CNTAIT Sevilha, 1994








   














  
   A CNT rejeita o princípio da autoridade, e, consequentemente, representantes com poder e imóveis. Nas eleições de 1978, a CNT teve que optar entre se meter no circo eleitoral ou se manter à parte deste sistema de representação buscando outra via para sua ação sindical. Se a CNT entrasse neste sistema de eleições sindicais, delegados executivos, funcionários assalariados e subsídios do Estado e da patronal, reproduziria exatamente aquilo que está tratando de evitar. E (não poderia ser de outra forma) foi feito um acordo de boicotar as eleições sindicais igual a como se fez durante o franquismo. O preço que a CNT pagou para que se mantivesse um pouco coerente (a pureza e a coerência total não existem) foi o das excisões de pessoas que preferiram ir embora ante as dificuldades que têm ao levar adiante uma ação anarcossindical deste tipo, e apostaram em um tipo de sindicalismo baseado nas eleições-subvenções-liberados.
  Estas excisões formaram o que é hoje a Confederação Geral do Trabalho (CGT). Na prática, a CGT, apesar de ter contado com mais mobilidade ao dispor de alguns fundos para pagar seus funcionários, obteve até o momento resultados eleitorais insignificantes. E, o mais importante, a CGT se institucionalizou, forma uma parte do sistema, funciona através de seus oligarcas pagos pelo Estado e pelas empresas, monta seu negócio de cursos de formação (como o resto dos sindicatos), e – igual a todo o sindicalismo de Estado – converteu a democracia em uma tragicomédia, uma pantomima, em uma palavra vazia, sem significado. O papel geral da CGT, da CCOO, da UGT, da USO e de seus liberados institucionais, é vergonhoso.
   É certo que a CNT tem uma existência escassa e precária, no momento. Mas a força de uma ideia não é proporcionada pelo número de seus/suas adept@s, mas pela validade de seus pensamentos. E a missão d@s dissidentes é mostrar como funcionam as coisas, e abrir novos caminhos que possam dar lugar à revolução social, não conseguir muit@s afiliad@s através dos cursinhos de formação. Como se conseguem as coisas é extremamente importante para um sindicato libertário.
   Somos um sindicato. Temos uma organização. Não se preocupe porque somos pouca gente. A CNT não é ineficaz, não está antiquada. A CNT é uma máquina reluzente, um artefato recém inventado que serve para lutar contra o capitalismo. Se só houvesse neste planeta duas pessoas que a empregassem, não mudaria o fato de que estão lutando, estão se organizando, definindo problemas, demarcando objetivos, desenvolvendo táticas e estratégias e obtendo soluções e vitórias até na derrota.
   Porque essas duas pessoas estão aqui, lutam contra o sistema. E isso dá pânico ao sistema e a seus servidores. Isso irrita os colaboradores e os traidores. Isso perturba os covardes e vendidos. Isso chateia enganadores, viracasacas, trambiqueiros, trapaceiros, puxasacos e oportunistas. Isso assusta – também – as pessoas de boa vontade que trabalham “porque não se pode fazer outra coisa” para os sindicatos de Estado. Isso lhes inquieta, porque sabem – no fundo – que seus interesses, seus subsídios, suas liberações, seus discursos, sua eficácia, seus grandes aparatos, suas ONGs e seu voluntariado... não são mais que mentiras que justificam a opressão e a ganância capitalista. Que haja dissidentes que estão dispost@s a adotar outras formas de ação, disso não gostam, isso lhes dá medo porque põe em xeque o estilo de vida que associam ao capitalismo. Por isso tentam inculcarte a ideia de que tudo é inútil, que não se pode fazer nada fora do marco de suas regras e de seu jogo. Mas sempre, sempre se pode fazer algo, aqui, agora, neste momento. O amor à liberdade, a assembleia, o federalismo, o apoio mútuo, a ação direta, jamais essas palavras podem ser débeis.
   Tenha consciência deste fato, e será forte ainda que esteja a sós. Queremos ser muit@s, mas não como criad@s do sistema.

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